Saturday, February 6, 2010
Século
Lugares que mudam que me desnudam e me deixam rendida e entregue a vida.
Era um grupo de onze num mundo de cento e tal. Ainda não defini o meu grupo,
nunca o tive. Eram as cento e tal, sem serem as minhas onze. As onze que acordei.
As onze que vi dormir. As onze que abracei. As onze que dei banho. As onze que adorei.
E depois destas onze, mais onze. E dessas onze mais cento e tal. Já eram (quase) trezentas.
Tantos almoços. Tantos jantares. Tantos lanches. Tantas correntes. Tanta segurança. Tanta
protecção. Tanto amor. E eu continuava com medo, mas agora apaixonada. E de entre as primeiras onze e de entre as segundas onze. E de entre as trezentas algumas vinham e não saiam. Quis acolher, cada uma delas. Quis ter. Quis guardar em mim na certeza de nunca esquecer. Quis viver.
Quis. E quanto mais passava mais eu amava. E mais três dias me foram dados. E mais cento e tal. Já lhes perdi a conta. Nunca as perdi de mim. E muitas abracei. Agarrei. Protegi. Com muitas dancei. Joguei. Por muitas chorei. Já lhes perdi a conta, a conta de quantas amei. Já voltei a chorar. Já julguei ir morrer de saudade. Já quis que o tempo parasse entre Junho e Julho. Onde tantas crianças aconcheguei. E dei. E recebi mais e mais. E já longe de Julho estou, continuo a receber. E amei. E amo. E voei. Voei como um passarinho e com um passarinho numa rampa. Os
meus braços eram asas. E esclareci. E descobri. Conheci a vida num espaço de recreio. Entre baldes de água e a Lua que não fugia. Eles achavam que sim. Que se corriam a Lua os seguia. Mostrei-lhes que não. Segurei a Lua enquanto eles corriam. Acreditaram. Também eles amaram, a felicidade que lhes demos. Também eles se amaram entre cartas e namoros de todos os dias. Namoros e cartas de crianças que (muitas) pela primeira vez se sentiram abraçadas. E chorei. E amei. Quis e quero. Quis ser mãe. Quis tê-los a todos. No corredor para a enfremaria apaixonei-me por mais um. Acompanhei-lhe os passos desorientados. E ia mais um e mais outros. Aleijados. A deitar sangue, de tanto correram, cairam. De tanto brincarem, lutaram. E uns choravam de saudades. Hoje choro de saudade. E uns amaram e outros não. E a sopa era rejeitada. E eu insistia. E eu também errava. Eu aprendia. Aprendi a viver. Aprendi realmente a de nada ter tudo. Aprendi a ser o Século. Aprendi a Vida. Nunca aprendi a dançar. Mas o meu coração dança com as memórias. E em mim sinto a música que não roubou do meu corpo o jeito para a dança mas que me fez dançar sem jeito nenhum. Porque estava Feliz. Ainda que com piolhos. Porque amei. Porque vivi. E tantas as crianças e tantos os sentimentos. E no final do dia, quase um novo dia, via-as dormir. Ia quarto a quarto ouvi-las respirar. Abraçava. Sorria. E respiravam descansadas. Tão cansadas. E eu brilhava. E eu vivia. E no dia a seguir gritava. E no dia a seguir sorria. E partilhava. E reflectia. E crescia. E entregava-me. E hoje repetiria. A cor da noite na praia era diferente. A roupa que eu distribuia ou que dava na lavandaria. E os leites que servi. E as bolachas que dei. E as lagrimas que também provoquei. Os mergulhos. A protecção. A argila. O amor.
Não sei ao certo como se vive sem este sentir. Já não me lembro. Não me lembro como se vive sem ver sete deles uma vez por semana. Como é abraça-los. Como é dar-lhes banho. Como é jantar com eles. Nunca me despeço. Eu volto sempre.
Até já.
Wednesday, January 13, 2010
Sunday, January 10, 2010
Monday, November 23, 2009
Português
"Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa
E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria
Como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia
Com o pão de cada dia
Suor do rosto pra pisar e ver o mosto
Nos lagares do bom caminho
Nos lagares do bom caminho
Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado
Generoso como o vinho
Generoso como o vinho
E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida
Nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida
De uma gente envaidecida
Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o nosso mar
Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o desconforto
Para o que anda torto
Neste navegar
Por isso há festa não há gente como esta
Quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão
Vem a fanfarra e os míudos, a algazarra
Vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão
E são atletas, corredores de bicicletas
E palavras indiscretas na boca de algum rapaz
E as barracas mais os cortes nas casacas
Os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz
Vinho do Porto vou servi-lo neste cálice
Alicerce da amizade em Portugal
É o conforto de um amor tomado aos tragos
Que trazemos por vontade em Portugal
Se nós quisermos entornar a pequenez
Se nós soubermos ser amigos desta vez
Não há champanhe que nos ganhe
Nem ninguém que nos apanhe
Porque o vinho é português"
vinho do porto, Carlos Paião
Sunday, June 14, 2009
Partilha ...
Obrigada pela partilha, e por (também) acreditares.
Sunday, May 31, 2009
é Amor.
Sem contestações ou outros -ões.
Vim para ficar e percorro caminho contigo, seja ele qual for.